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Pernambuco · Reportagem

São João de Caruaru recebe 200 mil visitantes e bate recorde histórico

O Maior São João do Mundo consolidou o interior pernambucano como destino cultural. Comerciantes comemoram movimento acima do esperado; desafio agora é segurar o público o ano todo.

Por Thiago Roquette, em Caruaru · Publicado em 5 de julho de 2026 · 5 min de leitura

Quando o forró parou, na madrugada de terça-feira, Caruaru respirou. Foram trinta dias de festa, milhares de turistas, centenas de shows e um número que surpreendeu até os mais otimistas: duzentos mil visitantes no período, segundo dados da prefeitura. É o maior público já registrado na história do Maior São João do Mundo.

O título de "maior" não é modesto. Caruaru disputa com Campina Grande, na Paraíba, a coroa do São João mais badalado do Nordeste. Este ano, a cidade pernambucana apostou em ampliar o número de polos de festa e descentralizar a programação para bairros periféricos. O resultado, segundo comerciantes ouvidos pela reportagem, foi um movimento mais distribuído — e menos concentrado na turistificação do centro.

O que moveu o número

Três fatores ajudam a explicar o recorde. O primeiro é o retorno do turista do Sudeste, que havia reduzido as viagens ao Nordeste nos últimos anos por conta da economia. O segundo é a ampliação de voos diretos para o Aeroporto de Caruaru, inaugurado há poucos anos. O terceiro, mais sutil, é um movimento cultural: o forró voltou a ser cool entre os jovens.

O jovem descobriu que forró não é música de velho. É música de gente que sabe dançar junto.

A frase é de um produtor cultural que toca em um dos polos menores da festa. Ele conta que, há cinco anos, as casas de show de forró em Caruaru viviam de público acima dos quarenta. Hoje, metade da plateia tem menos de trinta. A mudança reflete-se na programação: nomes novos dividem palco com veterano, e o pé-de-parede voltou a disputar espaço com o forró eletrônico.

O lado dos comerciantes

No Alto do Moura, bairro dos mestres da cerâmica, o movimento foi intenso. O artesanato local, que antes vendia sobretudo para turistas pontuais, virou produto de São João. Uma artesã conta que vendeu em um mês o equivalente a seis meses de movimento normal. "É assim que a gente paga o ano", diz.

Há também reclamações. Alguns comerciantes do centro reclamam da concorrência dos polos descentralizados e do custo dos serviços temporários. Outros apontam o desafio clássico do turismo sazonal: o mês lotado e o resto do ano vazio.

O desafio de além de junho

Para a prefeitura, o recorde é vitória parcial. A intenção declarada é transformar Caruaru em destino o ano todo, não apenas no São João. Para isso, investe em roteiros de turismo cultural, gastronomia regional e turismo de experiência no campo. Os resultados, por enquanto, são tímidos.

"O São João não pode ser a única estrela", diz um gestor de turismo ouvido pela reportagem. "Precisamos de motivos para o turista voltar em outubro, em janeiro." Enquanto isso não acontece, a cidade se prepara para o que vem depois da festa: o silêncio e a conta.

Tags: pernambucosão joãocaruaruturismo
TR
Thiago Roquette

Correspondente do WideBr no agreste pernambucano. Cobre cultura, interior e economia regional.